Duelo de Titãs

Especialista em marketing de feiras e eventos de negócios, formado pela ECA-USP, com pós-graduação na ESPM e com curso de especialização do Programa de Gestão de Marketing pela London School of Business and Finance (LSBF). Atua há cerca de 15 anos no setor, onde trabalhou nas principais empresas e com as maiores feiras do segmento. Linkedin: Ivaldo Gonçalves

O que está em jogo na disputa entre as feiras Mecânica e Feimec, os dois principais eventos do setor industrial do País. 

Por Ivaldo Gonçalves

Para a grande maioria, somente mais uma das inúmeras disputas entre dois eventos de um mesmo segmento. Porém, para quem acompanha e atua nesse mercado sabe que esta batalha entre a Feira Internacional da Mecânica (MECÂNICA) e a Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos (FEIMEC) pode definir o futuro dos negócios no Brasil de duas das maiores companhias de feiras do mundo, a Reed Exhibitions Alcantara Machado e a BTS Informa, respectivamente suas promotoras.

De um lado, a senhora MECÂNICA, um produto de 56 anos, que conseguiu sobreviver ao longo desses anos, inclusive à segmentação, com o mesmo formato e proposta de origem (coisa rara no setor) sendo um grande mostruário de máquinas e equipamentos para a indústria em geral. Com uma forte imagem de marca que figura entre as cinco mais importantes do segmento no mundo, é a maior feira em números de expositores do País e, provavelmente, uma das de maior margem de lucro para sua promotora.

Do outro lado, a debutante FEIMEC, lançada no começo do ano, junto com mais dois outros eventos, como a feira coordenada pela principal entidade do setor, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), que demandou um dos maiores investimentos feitos por uma promotora num projeto desse tipo no País. Uma aposta alta de duas importantes corporações e que apresenta como trunfos a realização do evento num novo e moderno pavilhão, o São Paulo Expo Exhibitions & Convention Center (antigo Imigrantes – que passa por reformas), e uma equipe experiente e conhecedora do segmento.

Mas o que está em jogo nesta disputa? Para fundamentar a resposta desta pergunta, o blog Mídia Feira ouviu profissionais do ramo e o principal alvo de disputa: os expositores. E todos os consultados foram unânimes em afirmar que o mercado não comporta dois eventos desse porte no ramo industrial e num mesmo período. Em outras palavras, um entrará em declínio (no ciclo de vida de produtos é a última etapa) e irá a nocaute. Além disso, a maioria dos consultados ressaltou que dois fatores podem ser determinantes na definição desta sentença: primeiro, a qualidade da visitação e, na sequência, o desempenho e criatividade do marketing.

Com isso, podemos esboçar algumas das consequências de um provável insucesso de um desses produtos. Além da perda de fatia significativa de mercado e de faturamento para uma de suas promotoras, o resultado das duas feiras poderá definir a trajetória de forma positiva ou negativa dessas empresas no Brasil, num período de crise econômica e de dificuldades do setor. Também pode interferir no futuro de seus jovens e ambiciosos presidentes, na trajetória solo de uma entidade de peso em coordenar seus próprios eventos, na carreira de profissionais envolvidos na disputa e nas metas comerciais de dois dos mais importantes centros de exposições do País. É muita coisa.

E não é à toa que as promotoras, entidades, centros de exposições e profissionais envolvidos nesta disputa não têm medido esforços para se sobressaírem neste duelo. Há altos investimentos, jogos de informações, entraves jurídicos e desempenho de profissionais e de duas grandes empresas sendo postos à prova.
Uma gigante, dominante do setor, com munição financeira e um ferramental de marketing bem-estruturado, que, agora, terá que mostrar seu poderio de fogo diante de uma concorrente de peso, com alto poder de investimento e sedenta para abocanhar o mercado.

A outra tem a segurança de um grupo de robustos investidores, se posiciona como a segunda maior do setor, e terá de provar sua capacidade de construir marcas fortes, sua habilidade em desenvolver e de colocar em prática estratégias do marketing de guerra diante uma gigante mordida e furiosa.
O resultado do primeiro round deste duelo de titãs, saberemos já no primeiro semestre do ano que vem, período de realização dos dois eventos. A plateia do mercado brasileiro de feiras aguarda de forma apreensiva o resultado nesta “arena”. Que vença a melhor para os expositores e visitantes. Φ